terça-feira, 29 de setembro de 2009

Transformação

Independente de qualquer fonte ou termo,
Tudo passará por transformação.

Todo amor,
Toda dor,
Toda tristeza,
Toda beleza.

Importa que,
No caráter de cada ato,
Na premeditação de cada laço,
Conhecemos a intenção pessoal do indivíduo.

No fim,
Tudo se complementa,
Tudo se desvenda,
Demonstra a que veio.

Finalmente conhecemos o sentido do ciclo vital,
Não importa a intenção imposta, mesmo que seja de terceiro.

A sobriedade da natureza é irretratável,
Ela,
Enfim,
Encontrará um meio.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Em memória

Novamente,
Vem à mente,
A memória da minha gente.

Na rima dos Rios,
Risos,
Tios,
Primos.

No detalhe desatento,
Da marola que vem do vento,
Do tilintar das águas,
Destinos das mágoas.

Deixei de não lembrar,
Quis acalentar,
Toda melancolia que vem do mar.

De pequena eu quis viver,
Algo mais iria acontecer,
Sem medo de sofrer,
Entreguei-me ao anoitecer.

Essas eram as minhas memórias,
Esquecidas no batente do meu nariz,
Porque um dia eu quis,
Um dia achei que poderia ser mais feliz.

Não fosse o desalento,
Não fosse o acometimento,
Não teria lembrado o que desmemoriado.

sábado, 19 de setembro de 2009

Acreditar

Quero acreditar na conspiração de cada partícula que existe neste Universo.
Quero acreditar que o mundo é feito de todas as possibilidades positivas.
Quero acreditar que os rótulos a que fui imposta são removíveis.
Quero acreditar que os rótulos que impus serão removidos.
Quero acreditar que o amor se renova.
Quero acreditar que há dignidade.
Quero acreditar que há paz.
Quero acreditar na ternura.
Quero acreditar.
Quero.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Morte

Quando morre algo dentro da gente é muito difícil olhar adiante.

Ficamos cedos na dor da perda de algo que fazia parte de nós.
Ficamos estúpidos com qualquer coisa que nos cerca.

A dor física é inevitável.

Não podemos obrigar alguém a nos dar amor.
Não podemos obrigar o mundo a nos aceitar com dor.

Queria eu poder ter um elixir que resolvesse todo o desengano.
Queria eu não sofrer desilusão.

Morreu dentro de mim um pedaço grande.
Morreu na data de aniversário do oitavário da referência juvenil.

Não creio mais.
O cheiro da morte é crestado.

A mudança ocorreu.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Nascimento

Porque o processo de escrita é tão espelhado, mesmo assim, muito salgado.
Porque ser eu mesma é tão irreal.
Porque pensar de fora é tão difícil, e ao mesmo tempo tão prazeroso.
Porque o tom rosado do crepúsculo traz uma delicada esperança.
Porque tudo tem seu início, meio e fim.
Porque o meu entardecer é tão melancólico que o anel vital - para mim, latente - é dolorido como um parto.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quando a Terra Parou

Lembro de um filme que tinha este título, ou não. Mas, de fato, o que importa o título de um filme que seria o título ideal para este "post"?

Então...

Sortes do dia. Horóscopos a parte. Visitações e popularidade suspensas. Cobertas sentimentais. Monotonias repetidas.

Mesmo com toda ou qualquer movimentação, a minha Terra parou.

Busco respostas que não foram respondidas, pois a pergunta, sequer, retumbou.
Encontro padrões de inércia.
Chacoalho meus sentidos, pois não é possível que só eu esteja vendo, repetidamente, o mesmo retrato.

Faço o maior drama para que a importância seja minha. Mas, não importa, porque a TERRA parou.

Queria poder ter a força dos heróis, e carregar o mundo nas costas. Levar a TERRA até o eixo que eu quero ou aguento, mas ...

eu não posso, sequer, dar o pontapé para colocar a TERRA para andar, pois não vejo o meu pé.

Não choro. Não respiro. Não vejo.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Olhar por entre a ESCURIDÃO

Depois que passa o medo do desconhecido, e que estabelecemos metas para tatear o caminho, fica a pergunta:
- É possível recomeçar?

Dadas as circustâncias da descrença - o negrume cerca o que a vista poderia alcançar - a possiblilidade de obter-se acalento em um aparo irreconhecível é opção assustadora.

Quisera eu ter tido o discerrimento enquanto o esmaecido acontecia, eu perdida em seio próprio - único lugar que aparentara ser seguro.

Pudera eu levantar o brado libertário daquela biografia - recôndito do pecado alheio.

Conseguisse alcançar a almejada boa fortuna - felicidade utópica e romântica dos sonhos de menina - estaria em gargalhada notória.

Este é o olhar arrependido! Este é julgo dos vencidos! Aqueles que buscam sobejos da âncora, em meio a escuridão.